<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241</id><updated>2011-04-21T15:27:46.348-03:00</updated><title type='text'>Escritos Letárgicos</title><subtitle type='html'>Escritos ao vento, de destinos e desalentos, sobre a essência de qualquer um.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>48</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-112716994086310973</id><published>2005-09-19T19:34:00.000-03:00</published><updated>2005-09-19T19:45:40.870-03:00</updated><title type='text'>Gelo</title><content type='html'>Ele estava escorado no balcão. Bebia um copo de cerveja, e esperava o amigo voltar do banheiro. A música seguia um ritmo incerto, e as batidas se mantinham constantes. Tomou mais um gole, e olhou para os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava de pé, conversando com algumas amigas. Ele só pode ver suas costas, estampando uma tatuagem grande de uma flor, e sua nuca nua, com os cabelos presos num rabo de cavalo. Seu perfil, quando ela virou, revelava um nariz perfeito, e lábios harmoniosos. Um sorriso de dentes brancos decorava seu rosto quando ela se virou em direção ao bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia se estava embriagado, se era a música, mas a sensação era de que ela caminhava em sua direção quase em câmera lenta. Parou quase ao seu lado, escorou-se, no balcão, e ficou esperando o garçom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele se deu por conta da própria existência. O gosto da cerveja na sua boca, o suor escorrendo na sua face. Mas, ao mesmo tempo, queria olhar para ela, e falar alguma coisa. Mas sua mente era um branco profundo e sem vida. Decidiu ir ao banheiro, se recompor, enquanto pensava em algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu amigo ainda estava lá, perdo do vaso sanitário, na dúvida de tentar colocar tudo que havia bebido naquela noite para fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto lavava o rosto, mil histórias se passaram pela sua cabeça. Coisas engraçadas, ou inteligentes, ou simples. Todas elas eram opções. Teria que escolher uma, para tentar quebrar o gelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retornou para onde estava. Desviava do público aglomerado. De longe, enxergou os cabelos loiros, e a identificou no meio da multidão. Mas ainda não havia pensado em nada. Chegaria contando uma piada? Perguntaria seu nome? Diria o quanto ela era bela? Ou simplesmente diria um oi?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuou caminhando, até que chegou ao bar, e pediu outra cerveja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-112716994086310973?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/112716994086310973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=112716994086310973' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/112716994086310973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/112716994086310973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/09/gelo.html' title='Gelo'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-112483149564420600</id><published>2005-08-23T18:06:00.000-03:00</published><updated>2005-08-23T18:11:35.650-03:00</updated><title type='text'>Paixões Modernas</title><content type='html'>A tela piscou, e uma nova janela se abriu, em meio a editores de texto, páginas de internet e outros programas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi. - Aparecia escrito, em letras cor de rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não sabia o que escrever. Estava concentrado no trabalho. Não sabia quem era. Então resolveu escrever apenas um outro Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa fluiu. Conversaram até as quatro da manhã. O trabalho dele ficou atrasado. Mas ele estava feliz. Nunca tinha visto a pessoa do outro lado, nem sabe como ela conseguiu seu contato. Hoje em dia é fácil conseguir qualquer coisa sobre alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as conversas se repetiram. Ele tinha alguém para desabafar. Mas ainda não tinha um rosto. Pensava nela, nas letras que apareciam na tela, mesmo quando não estava no computador. Em qualquer situação, pensava o que o outro lado do monitor diria, que conselho daria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que um dia ela não apareceu. Não dava sinais de vida, nenhuma letra escrita na tela. E ele se sentiu vazio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-112483149564420600?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/112483149564420600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=112483149564420600' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/112483149564420600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/112483149564420600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/08/paixes-modernas.html' title='Paixões Modernas'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111825849602827023</id><published>2005-06-08T16:13:00.000-03:00</published><updated>2005-06-08T16:21:36.036-03:00</updated><title type='text'>Trens</title><content type='html'>Ele passou pela colocou a passagem no lugar, e cruzou a roleta. Ficou parado, enquanto a escada rolante fazia seu trabalho, e chegou na plataforma. E encostou-se na parede, esperando. Estava com calor, e com tédio, e lembrava-se que a viagem iria durar mais quarenta e cinco minutos. Mais quarenta e cinco minutos de tédio e calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocou seus óculos escuros, amenizando o reflexo do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então a viu. Ela descia a escada rolante, e ele passou a não poder mais tirar os olhos dela. Achou que não daria bandeira por causa dos óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passou por ele, e sentou-se no banco próximo. Ele continuou escorado na parede, fingindo casualidade. E ela notou que estava sendo observada por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia se olhava para ele, para o longe, tentando ver seu trem chegando, ou para o chão, envergonhada. Decidiu olhar para o possível trem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele achou que ela estava olhando para ele, e ficou sem graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois trens pararam na estação. E ele esperou para ver em qual ela embarcaria. E, ela embarcou no que ia na direção oposta a dele. E ele perdeu o trem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111825849602827023?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111825849602827023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111825849602827023' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111825849602827023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111825849602827023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/06/trens.html' title='Trens'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111722953447330011</id><published>2005-05-27T18:26:00.000-03:00</published><updated>2005-05-27T18:32:14.480-03:00</updated><title type='text'>Sonho</title><content type='html'>Sonhei que não haviam distâncias entre a gente. Que bastava eu erguer a minha mão, e tocaria teu rosto, e sentiria tua pele macia na ponta dos meus dedos, o calor do teu sangue, se misturando com a minha alma, e a fluidez dos pensamentos não sendo mais do que um instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu sonho não haviam barreiras, apenas eu e você. Poderiamos ficar juntos pelo resto da eternidade, pois não havia tempo em meu sonho, e um piscar de olhos ou um milhão de anos era apenas um conceito, e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não havia culpa em meu sonho, e todos os nossos atos não significavam nada, apenas a presença de ambos bastava. Eu não me importava com teus erros, nem você com meus defeitos. Eramos perfeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, em meu sonho, tua imagem começou a desaparecer. Tua perfeição foi deixada para trás, e novamente eu estava sozinho. Deitado na cama, olhando para o teto, e deixado de lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dizer adeus.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111722953447330011?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111722953447330011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111722953447330011' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111722953447330011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111722953447330011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/05/sonho.html' title='Sonho'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111705107424390311</id><published>2005-05-25T16:51:00.000-03:00</published><updated>2005-05-25T16:57:54.246-03:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>Ela preencheu os espaços vazios, dando respostas para perguntas que não queriam calar em meu coração. Atou os nós das pontas soltas da minha vida. O enredo agora estava completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha busca terminou quando olhei em seus olhos, e me perdi na imensidão esmeralda. Caminhou até mim, e fui tomado de assalto pelo seu beijo. Não ouvi sua voz, apenas senti seus lábios nos meus, e a eletricidade atravessando nossos corpos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela não me tocava mais. Abri os olhos perdidos, e ela não estava mais lá. Havia apenas o vazio, no espaço que ela havia ocupado. Se tivesse ocupado. Pois, talvez, tudo não passou de uma ilusão da minha mente, uma brincadeira de mau gosto que eu fiz a mim mesmo, em minha necessidade de ser amado por alguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111705107424390311?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111705107424390311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111705107424390311' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111705107424390311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111705107424390311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/05/ela.html' title='Ela'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111526593978940852</id><published>2005-05-05T00:55:00.000-03:00</published><updated>2005-05-05T01:05:39.826-03:00</updated><title type='text'>Ilusão</title><content type='html'>E nas graças da deusa adormecida, ele olhou para a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria acreditar em seus olhos. Aquilo só poderia ser mentira. Seu coração dizia o contrário, que deveria continuar, perpetuar aquele sentimento até que não aguentasse mais. Mas sua cabeça dizia "Pare, está na hora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As cores do mundo estavam mudando. O colorido estava se tornando cinzento. Uma nova tempestade estava se aproximando, e os olhos negros do furacão já o cobriam, sem dar-lhe esperanças para o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coração agora jazia partido, num solo arenoso, onde antes havia um jardim de rosas. E o anjo de asas caídas o observava sobre a lápide, onde ele lia seu próprio nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se iludio, e sem saber, isso custou sua própria sanidade. Mas, agora, não teria mais nada a perder. Continuaria sua busca, até encontrar seu verdadeiro destino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111526593978940852?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111526593978940852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111526593978940852' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111526593978940852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111526593978940852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/05/iluso.html' title='Ilusão'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111415016243817035</id><published>2005-04-22T02:59:00.000-03:00</published><updated>2005-04-22T03:09:22.440-03:00</updated><title type='text'>Momento (Moment in a million Years - Scorpions)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Iniciando a Série "Sons Letárgicos", de escritos baseados em músicas, esta é A Moment in a Million Years, do Scorpions.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As luzes vão diminuindo lentamente. Não vejo mais nada a minha frente, não há mais ninguém, apenas você e eu. Vejo seus olhos olhando para mim, numa distância tão grande que parece impossível alcançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ouço mais nada, apenas a minha voz. Não ouço a multidão me acompanhar. Vejo os teus lábios se movendo, poesia em forma de música. As batidas da bateria não existem mais. Agora eu sinto apenas meu coração, e dito meu ritmo por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te vejo sorrir, mas também te vejo chorar. A noite está acabando. Nada mudou, porque nada começou, e nada vai terminar. Logo você vai voltar para casa, e eu vou te deixar. As luzes vão se acender, e vai ser tudo que eu tenho pra te dar, um momento em um milhão de anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ônibus está esperando lá fora. Eu vou voltar para a estrada, perseguir mais um sonho esta noite. Eu não vou esquecer deste momento. Nem em um milhão de anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111415016243817035?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.lyricsfreak.com/s/scorpions/122569.html' title='Momento (Moment in a million Years - Scorpions)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111415016243817035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111415016243817035' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111415016243817035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111415016243817035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/04/momento-moment-in-million-years.html' title='Momento (Moment in a million Years - Scorpions)'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111397844739089384</id><published>2005-04-20T03:22:00.000-03:00</published><updated>2005-04-20T03:27:27.390-03:00</updated><title type='text'>Galáxia</title><content type='html'>Gotas de átomos explodem na vastidão e no vácuo, entre espaços ilimitados de nada. Esferas de energia vagam, chocando-se umas nas outras, atraídas por sí mesmas e em busca de um significado para sua própria existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cores borbulham sobre o negrume da escuridão. Azul, amarelo, cinza, verde. Numa aquarela uniexistencial. Sem concepções ou ilusões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viagens a velocidade da luz. Rompantes de milésimos de segundo, de nenhum lugar para lugar algum. Planetas passando, inertes no meio da gravidade, iluminados por sóis, escurecidos por luas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A eternidade esperando pela frente, sem destino, apenas vontade de ir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111397844739089384?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111397844739089384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111397844739089384' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111397844739089384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111397844739089384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/04/galxia.html' title='Galáxia'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111397809047265979</id><published>2005-04-20T03:10:00.000-03:00</published><updated>2005-04-20T03:21:30.473-03:00</updated><title type='text'>Vertigem</title><content type='html'>Ele caminhava entre as pessoas. A música estava alta, quase não podia ouvir os próprios pensamentos, abafados por uma constante batida ritmada. Música eletrônica, abominava. O cheiro do cigarro invadia sua narina, grudava sobre sua pele, deixava vestígios em sua roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas o empurravam, num ato que pensavam ser algo parecido com dançar, frenéticos, desalinhados e sem coordenação. Alguns tentavam acompanhar a música. Outros já estavam mais entorpecidos pelas substâncias que haviam ingerido, não se importavam mais com o que acontecia ao seu redor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tentou chegar até o bar. Demorou, ia empurrando quem estava na sua frente, com medo de alguém lhe olhar torto e tentar puxar briga. Mas, naquele momento não se importava. Tudo que queria era sair dali. Era cedo, ele ia ficar um pouco mais. Não tinha acontecido tudo que ele gostaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua cabeça começava a trabalhar na mesma batida da música, e isso atrapalhava seus pensamentos. Parou de pensar. Apenas olhava para dentro do copo de absinto, na sua frente, imerso na vastidão transparente do líquido gelado no copo de cristal. Falso, mas ainda assim parecia ser cristal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou-se no banco ao lado dele. Deu sorte, pois com uma casa cheia daquelas, um banco vazio só poderia significar sorte. Fez sinal para o garçom. Também pediu absinto. Pouco gelo, como o dele. Ainda não haviam trocado olhares. Ele ainda ignorava a presença dela. Ela estava preocupada em pegar de volta sua consumação, que o garçom ainda não havia devolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então... Sempre há um então nestes casos... Então ele olha para ela, de canto de olho, sem muito entusiasmo. Mas se entusiasma com a visão do rosto angelical dela. Contrastava com a tatuagem estampada nas costas nuas, em formato de um dragão chinês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era a primeira coisa boa que acontecia naquela festa. Ele estava lá para acompanhar um amigo, que agora estava de amassos com uma garota, num canto escuro da pista. Ela, queria apenas sair de casa, desopilar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela olhou para ele, e sorriu. Gostou do jeito dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, para ele, agora a música não era mais chata. Tudo que ele ouvia era a voz dela. Falando, falando... Sobre tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111397809047265979?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111397809047265979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111397809047265979' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111397809047265979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111397809047265979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/04/vertigem.html' title='Vertigem'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111303264232163102</id><published>2005-04-09T04:25:00.000-03:00</published><updated>2005-04-09T04:44:02.323-03:00</updated><title type='text'>Amores em tempo de internet</title><content type='html'>Eram três da manhã quando ele ligou o computador. Esperou pacientemente pelos três minutos que a máquina levava para iniciar. Não tinha sono, havia bebido três xícaras de café antes da meia-noite. Precisava digitar algumas coisas, documentos, trabalhos, e-mails. Tarefas, tarefas, tarefas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não tinha vontade para fazê-lo. Acessou o navegador da internet, e ficou lendo as últimas notícias. Pouca coisa lhe chamou a atenção. Não se interessava por política, economia, esportes. Alguma coisa de cultura, cinema, música. E começou a pensar no tempo que já fazia sem ir ao cinema, ou a um show, peça de teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a pensar que havia trocado muita coisa pelo trabalho. Mal tinha tempo para alguns amigos, meia hora de cerveja e conversa jogada fora uma vez por mês. Cronometrada, a meia hora. De resto, era escritório, casa, escritório, casa. Tinha um bom emprego, uma bela casa comprada com o seu salario. Um carro novo todo ano, nos últimos oito anos. E acordava todo dia as quatro da manhã com gastrite. Estresse, diria o médico na última consulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viva sozinho. Não tinha ninguém para compartilhar alguma coisa boa da vida. Não tinha motivos para ter algo bom na vida. Decidiu que iria se didicar mais a própria vida que ao trabalho. Não faria mais horas extras, nem trabalharia em casa. Sairia mais, teria mais tempo para se divertir. E decidiu que também iria encontrar alguém. A vida sozinho não tinha tanta graça quanto ele achava que teria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na sua frente, o computador acusava algumas propagandas. Uma delas era de um site de encontros. Ele se cadastrou rapidamente, colocando alguns dandos, deixando outros de lado. Passou a procurar entre os outros usuários alguém que lhe chamasse a atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias ele entrava no site. Via se tinha recebido alguma mensagem. Mandava algumas para algum perfil que achava interessante. Até que recebeu uma. De uma mulher que morava na mesma cidade que ele. Que tinha se identificado com os gostos dele. Começaram a trocar e-mails. Foram se conhecendo virtualmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora ele não ia mais apenas para o trabalho, e de volta para casa. Algumas vezes, depois do horário de expediente, ia para algum café, ou bar. Assistia filmes, mesmo sozinho. Ou ia para casa, ouvia música. Sua coleção de cds estava aumentando aos poucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus colegas de escritório também estavam notando uma pequena mudança. Passou a notar mais com quem trabalhava, inclusive aquela morena que tinha uma sala ao lado da sua. Trocavam olhares diariamente, quando se cruzavam nos corredores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, ele continuava trocando mensagens com a mulher do site. Descobriram-se parecidos. Em gostos, desgostos, qualidades e defeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, resolveram se encontrar. Marcaram um lugar que coincidentemente frequentavam. Mas ele ficou com medo, e não foi. Não estava mais acostumado com estes jogos de sedução. E, se ele soubesse, que ela não tinha ido também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No escritório, resolveu se arriscar, e convidou a colega de trabalho para sair. Ela aceitou, não sem antes fechar o programa de e-mail, onde mandava uma mensagem para alguém, perguntando porque ele não havia ido no encontro marcado na noite anterior, em um café no centro da cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111303264232163102?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111303264232163102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111303264232163102' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111303264232163102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111303264232163102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/04/amores-em-tempo-de-internet.html' title='Amores em tempo de internet'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111216178708846015</id><published>2005-03-30T02:39:00.000-03:00</published><updated>2005-03-30T02:49:47.090-03:00</updated><title type='text'>Caçada</title><content type='html'>Ela empunhava apenas um arco. Envolvida em meio à floresta, espreitava sob as folhas, em busca de movimento. Os sons da floresta invadiam seus ouvidos. Pássaros cantando, o riacho murmurando, o vento açoitando os galhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cervo moveu-se adiante, correndo entre os troncos, pressentindo seus caçador. Suas patas moviam-se energicamente, evitando pedras e buracos. Orelhas para trás, captando sons ao seu redor. O coração batia em frenesi, o deixando atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os reflexos a empurraram para a frente, fazendo-a correr na direção do animal. Não sentia as pernas, flutuava pelo caminho, tão rápido quanto podia. Retirou uma flexa da aljava, retesou a corda e parou de correr. Sua respiração se acalmou no mesmo instante. Não pensava em nada, uma mente vazia, os olhos acompanhando a presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cervo parou, parecia saber seu destino. Olhou nos olhos da caçadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela puxou a corda mais um pouco. Viu os olhos do animal olhando os seus. Aprontou-se para atirar, e exitou ao deixar a flecha ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A flecha voou como uma águia em meio às árvores, perdendo distância entre predador e presa. E acertou um tronco, centímetros no animal, que saiu correndo, sem antes dar uma ultima olhada para seu predador, com um olhar de agradecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111216178708846015?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111216178708846015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111216178708846015' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111216178708846015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111216178708846015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/03/caada.html' title='Caçada'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111199293369041154</id><published>2005-03-28T03:41:00.000-03:00</published><updated>2005-03-28T03:55:33.693-03:00</updated><title type='text'>Olhos Negros</title><content type='html'>Ela atravessou o corredor, com pressa. Parou na porta, e hesitou. Pensamentos perdidos no espaço, observando ao seu redor. Sentou-se, sozinha, ao canto. Uma aura de solidão emanava, em ecos que chegavam até seu exterior, e tirava o brilho de seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperou pelo resto da madrugada, num olhar fixo para o nada, e quem quer que fosse, não apareceu. Ela levantou-se com o brilho do sol no horizonte. Seus olhos negros refletiam o vermelho da luz, e seus passos continuaram hesitantes, numa direção indefinida, até o outro lado de sua alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111199293369041154?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111199293369041154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111199293369041154' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111199293369041154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111199293369041154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/03/olhos-negros.html' title='Olhos Negros'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111112595508628178</id><published>2005-01-01T02:52:00.000-02:00</published><updated>2005-03-18T03:05:55.090-03:00</updated><title type='text'>Revisão</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Escritos na beira da Lagoa" de Primeiro de Janeiro.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é um dia mundialmente conhecido. Em muitas culturas, é o dia que usamos para zerar o passado de um ano, equecer os erros dos últimos 365 dias, e se preparar para novos erros. Fazer promessas que precisam ser cumpridas, mas as abandonamos na semana seguinte. Coisas que nossa alma pede, mas que não ouvimos, pois sentimos penas de nós mesmos, por não termos aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro das promessas que quebrei em 2004. Provavelmente houve um momento do primeiro dia do ano que parei e pensei: "este vai ser o MEU ano", assim como fiz anteas de começar este texto. Por que devo acreditar que este ano vai ser diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu deva começar minha jornada com um passo de cada vez. Ver o que eu preciso, descobrir como fazer prar conseguir, mas com a lembrança do que fiz errado da outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei 2004 me lamentando daquilo que eu não tinha. Um amor, um trabalho, dinheiro, fé, eram coisas que me faltavam. ME lamentava por não ter, e não mudava o ponto-de-vista. Reclamava as coias que não tinha, mas não enxergava as que tinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero evitar isso em 2005. Posso não ter alguém ao meu lado, ainda, mas não há razões para não ter. É uma questão de encontrar a pessoa certa. Ele deve estar por ai, em algum lugar . Tudo que preciso é ter os olhos abertos, dispostos a vê-la, e não fazer nada para espanta-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou novamente sem dinheiro e sem trabalho. Mas, também é uma questão de saber o que eu preciso, e o que eu quero. Há muito tempo atrás, decidi que iria ser escritor. Ou melhor, um contador de histórias. Por isso, aprendi como fazer isso de diversas maneiras: cinema, literatura, fotografia, um pouco de desenho, quatrinhos. So falta a história certa. Mas isso é uma meta a longo prazo. Pode ser para este ano ainda, ou vou ter que deixar para um futuro a mais longo prazo. Mas não vou desistir. A curto prazo, algo que possa bancar meus outros desejos, os materiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aprendendo a ver as coisas com outros olhos. E vejo o mundo mudar ao meu redor. Algumas coisas precisam de esforço, mas geralmente é pelo meu próprio peso, num acúmulo de quase um quarto de século de manias, erros repetidos e desilusões. Mas eu preciso seguir em frente, a passos lentos e decididos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma grande tartaruga, que se move lentamente em terra, até achar o seu lugar, o seu oceano. Então, ela ganha graça em seus movimentos, e velocidade. E vê o mundo mudar ao seu sredor, sem esforço para faze-lo acontecer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111112595508628178?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111112595508628178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111112595508628178' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112595508628178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112595508628178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2005/01/reviso.html' title='Revisão'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111112515722400323</id><published>2004-12-25T02:40:00.000-02:00</published><updated>2005-04-06T19:32:40.930-03:00</updated><title type='text'>Promessas</title><content type='html'>&lt;em&gt;"Escritos na beira da Lagoa" especial de Natal.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia se começava um conto ou uma crônica. Se inventava uma ficção sobre o que eu sinto ou um relato das ficções que eu vivo. Um texto sobre aquilo que se passa na minha mente, e que me ajudasse a sisualizar o que se passa no meu coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu me lembrei que hoje é um dia de se lembrar  do que foi feito durante um ano inteiro, ponderar as escolhas acrtadas ou erradas. A promessas para o que deve se feito é em outra data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, foi um ano complicado. De se pensar mais nos erros, pois não tive muitos acertos. Mas foi um ano de descobrimento, onde eu pude olhar para dentro  da minha alma, e enxergar quem eu sou , e o quanto eu mudei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo um ano complicado, cheio de erros, há acertos a serem lembrados. Um deles foi me permitir lembrar que eu tenho algo a ser dito. E deixar os outros ouvirem. Nesta inspiração, eu criei um lugar num mundo irreal, onde as pessoas, principalmente as importantes, pudessem entrar e olhar os olhos do mundo como eu os vejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E descobri que isso era bom. Como retorno e incentivo, ouvi elas falarem que aquilo que eu fazia era algo bom, que ao final de cada texto, que era único em minha mente, eram tomadas por uma sensação de leveza de espirito, e que passavam a ver como se sentiam bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um ano para descobrir aque lugar eu pertenso. De se estar longe de casa, e mesmo assim se sentir acolhido. De se estar em qualquer lugar e poder chamar de lar, ou de achar que se estava em casa, num lar, mas se descobrir com o coração apertado, querendo fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram 358 dias para separar o certo daquilo que se achava certo. Dias em que o sentimento de ser vitima da situação deu lugar ao ato de enxergar que o único culpado é aquele que machuca a sim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parar de culpar os outros para descobrir que ninguém é culpado. Perdoar os outros, e perdoar a si mesmo. De poder ouvir de alguém importante, a pessoa que te colocou no mundo, um "eu te amo sincero", e saber que é reciproco, porque parou de culpa-la pelos erros que não eram dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, também foi um ano para formular novas promessas de ano novo, que, como em todos os outros, não foram cumpridas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111112515722400323?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111112515722400323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111112515722400323' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112515722400323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112515722400323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/12/promessas.html' title='Promessas'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111112441987251461</id><published>2004-12-20T02:34:00.000-02:00</published><updated>2005-03-18T02:40:19.873-03:00</updated><title type='text'>Expressão</title><content type='html'>&lt;em&gt;Outra da série "Escritos na beira da Lagoa"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse te dizer tudo que eu gostaria, meu coração sairia da prisão que eu tenho imposto a ele, de pensar em ti todos os dias, como numa foto impressa atrás de meus olhos. Na minha juventude, minhas palavras teriam enchido todos os volumes de uma biblioteca, em redundâncias de paixão, amor, saudade e desejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa inocência  que findaria com o passar da areia através da ampulheta,minha mente está mais lúcida, mas meu sentimento não diminuiu. Sua fotografia ganhou cores e movimento. Agiora lembro da tua voz, do teu cheiro, da maciez da tua pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma como enxergo se revelou mais pura, desapropriada dos dogmas dos outros tempos. Agora, eu posso dizer todo o sentimento que tenho com uma frase, nada mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111112441987251461?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111112441987251461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111112441987251461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112441987251461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112441987251461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/12/expresso.html' title='Expressão'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111112400324928962</id><published>2004-12-13T02:29:00.000-02:00</published><updated>2005-03-18T02:33:23.250-03:00</updated><title type='text'>Pistas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Mas uma da série "Escritos na beira da Lagoa".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de alguém que saiba ver nos meus olhos minhas palavras não ditas. Que saiba respeitar meu silêncio, de pensamentos profundos e conexos. E queira conjurar minhas palavras em meio ao barulho do irracional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não busco ninguém, não estou incompleto. Mas sei que alguém ao meu lado traria a tona o meu espirito humano, escondido nas sombras da vaidade, sem perceber que o tempo se torna menor, como areia se esvaindo entre meus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus olhos estão cegos para a proximidade. Não reconheço quem me ama, e por isso vivo no abandono da minha própria existência. Quero apenas precisar de alguém, merecusar a continuar recusando quem se aproxima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111112400324928962?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111112400324928962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111112400324928962' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112400324928962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112400324928962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/12/pistas.html' title='Pistas'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-111112371843677496</id><published>2004-12-13T02:23:00.000-02:00</published><updated>2005-03-18T02:28:38.436-03:00</updated><title type='text'>Máscara</title><content type='html'>&lt;em&gt;Da série "Escritos na beira da Lagoa", no período em que fiz meu pequeno retiro espiritual de dois meses e meio, longe da civilização reconhecidamente normal. Desde viagens malucas até textos contemplativos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escondido pela máscara das sombras, eu vago  entre as névoas da solidão, envolto em palavras de agonia, morimbundo pelo crepusculo da vida alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero o que me dão, e recuso as sobras da virtude dos outros. Meu desejo é o recomeço, uma outra chance de errar. Mas erros diferentes, desta vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-111112371843677496?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/111112371843677496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=111112371843677496' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112371843677496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/111112371843677496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/12/mscara.html' title='Máscara'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110211126190094841</id><published>2004-12-03T19:53:00.000-02:00</published><updated>2004-12-03T20:01:01.900-02:00</updated><title type='text'>Prelúdio</title><content type='html'>As ondas batiam nos meus pés, num movimento, inconstante incorporado pelo vento, soprando levemente. Eu ainda estava lá. O tempo passou sem ser notado, eu não queria mais ir para casa. Lá era a minha casa agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei tudo para trás, sem pensar nas consequências. Fiz escolhas que agora não tinham mais volta. Ter os olhos numa praia era tudo que eu precisava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo vislumbrar meu futuro como quando olho para as ondas. Espero que não seja tão salgado quanto as águas, e que a tempestade renove meu espírito. Eu não sou uma gaivota, que voa sobre as águas até encontrar o peixe, e volta para o ar, num espírito de liberdade. Eu sou o peixe, que nada para o fundo, fugindo do pássaro que o caça, se escondendo na escuridão do mar revolto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, meus pensamentos rebuscados apenas buscam a resposta que eu ainda não encontrei. Na minha memória, apenas uma palavra navega. Ela tem muitos nomes, e muitos significados. Talvez eu queria todos para mim. Mas devo começar com um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolho primeiro a Liberdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110211126190094841?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110211126190094841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110211126190094841' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110211126190094841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110211126190094841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/12/preldio.html' title='Prelúdio'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110140649290911489</id><published>2004-11-25T16:08:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:14:52.910-02:00</updated><title type='text'>Escadaria</title><content type='html'>Eu a vejo sentada na escada, lendo poesias de um escritor cujo nome não consigo repetir. Está absorvida em pensamentos, imaginando os versos como numa fantasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu paro no primeiro degrau para observa-la. Dezenas de degraus nos separam, mas ela não nota minha presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vira as páginas com delicadeza, numa suavidade envolvente, sem tirar os olhos das palavras escritas pelo autor, costuradas como um artesão da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu continuo subindo os degraus, olhando para ela. Mas, apenas olhando...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110140649290911489?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110140649290911489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110140649290911489' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110140649290911489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110140649290911489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/escadaria.html' title='Escadaria'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110135264470810696</id><published>2004-11-25T13:17:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:25:01.006-02:00</updated><title type='text'>Cronica de Amores Perdidos</title><content type='html'>Estou na frente de uma p&amp;aacute;gina em branco. Minha proposta &amp;eacute; preenche-la, n&amp;atilde;o apenas com palavras, mas tamb&amp;eacute;m com uma hist&amp;oacute;ria, que fa&amp;ccedil;a sentido, que fa&amp;ccedil;a com que quem a leia pense sobre aquilo, pense sobre si mesmo e sobre o que fez da pr&amp;oacute;pria vida at&amp;eacute; agora. Mas, eu n&amp;atilde;o pensei na minha pr&amp;oacute;pria vida at&amp;eacute; agora. Mas tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para uma hist&amp;oacute;ria, a primeira coisa que eu preciso para contar uma hist&amp;oacute;ria &amp;eacute; saber sobre quem ela &amp;eacute;. N&amp;atilde;o em quest&amp;atilde;o de nome, mas na quest&amp;atilde;o de o que ele quer. Ele precisa querer alguma coisa, que vai fazer ele se mover at&amp;eacute; o final da &amp;uacute;ltima linha, quando ele finalmente vai conseguir aquilo que ele busca. Ou ela, ainda n&amp;atilde;o decidi. Como escrevi at&amp;eacute; agora sobre amor, na maioria das vezes, ou sobre o ato de se escrever sobre amor, essa vai ser mais uma cr&amp;ocirc;nica sobre o assunto. Mas uma cr&amp;ocirc;nica sobre como se escreve sobre amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha personagem &amp;eacute; um homem, j&amp;aacute; que a maioria das vezes as mulheres s&amp;atilde;o a personagem principal, quando se trata destes assuntos mais intimistas. Prefiro ser um pouco mais alternativo, escolhendo o menos &amp;oacute;bvio. Mas, al&amp;eacute;m de ser um homem, o que mais eu posso fazer ele ser. Algu&amp;eacute;m ocupado, que n&amp;atilde;o tem tempo nem para si mesmo. Trabalha vinte horas por dia, trancado num escrit&amp;oacute;rio, em meio a pap&amp;eacute;is, documentos, pastas e pessoas que n&amp;atilde;o lhe d&amp;atilde;o aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Ele pode ser um advogado, um contador, ou um administrador de empresas. Acho que Contador fica melhor, por que joga ele numa perspectiva mais racional em meio a uma hist&amp;oacute;ria intimista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sai de manh&amp;atilde; cedo, quase junto com o sol saindo no horizonte. Pega um metr&amp;ocirc; ainda n&amp;atilde;o lotado, j&amp;aacute; que ele n&amp;atilde;o gosta de muito contato com os outros. Desce na &amp;uacute;ltima esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o da capital, caminha mais meio quilometro e chega at&amp;eacute; a portaria do pr&amp;eacute;dio comercial aonde trabalha. Cumprimenta o porteiro com um balan&amp;ccedil;ar de cabe&amp;ccedil;a. Ali, pega um elevador at&amp;eacute; o d&amp;eacute;cimo s&amp;eacute;timo andar. A secret&amp;aacute;ria ainda n&amp;atilde;o chegou. Ela sempre chega depois dele. Ele se acomoda na sua cadeira, daquelas reclin&amp;aacute;veis, conforme o peso que se joga nela, e coloca os p&amp;eacute;s sobre a mesa. &amp;Eacute; seu &amp;uacute;nico momento de liberdade, at&amp;eacute; o final do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus colegas de trabalho come&amp;ccedil;am a chegar. J&amp;aacute; est&amp;atilde;o acostumados com a presen&amp;ccedil;a dele antes de todos, que nem se importam mais. Fingem que ele n&amp;atilde;o est&amp;aacute; ali. Na verdade, ele n&amp;atilde;o tem amigo ali dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perto do p&amp;ocirc;r-do-sol ele pega suas coisas, enfia tudo numa pasta e volta pra casa, fazendo o caminho inverso da manh&amp;atilde;. Assiste um pouco de televis&amp;atilde;o, e vai pra cama. Outro dia termina. E assim vai, numa rotina infind&amp;aacute;vel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, &amp;eacute; preciso quebrar essa rotina. Pegar o que ele n&amp;atilde;o tem, e atravessar na sua frente, como um carro parado num cruzamento de uma linha de trem, com o trem vindo em sua dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Neste caso n&amp;atilde;o &amp;eacute; um trem. Tudo que ele n&amp;atilde;o tem &amp;eacute; uma garota. Ele n&amp;atilde;o ama ningu&amp;eacute;m. Mas vai passar a amar ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira coisa que pode chamar a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dele nela &amp;eacute; a beleza. O sopro da cria&amp;ccedil;&amp;atilde;o foi bem sucedido nela, pelo menos as olhos dele. Olhos azuis, cabelos castanhos avermelhados curtos, at&amp;eacute; os ombros, amarrados um pouco acima da nuca. Mas, o que vai chamar a aten&amp;ccedil;&amp;atilde;o dele, realmente, &amp;eacute; a tatuagem na nuca, deixada amostra pelo penteado. Talvez um s&amp;iacute;mbolo japon&amp;ecirc;s, algo na moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lugar aonde ele vai enxerga-la tem que ser um lugar em comum. Como ele n&amp;atilde;o frequenta lugar nenhum al&amp;eacute;m do metr&amp;ocirc;, ser&amp;aacute; no metr&amp;ocirc; ent&amp;atilde;o. Ela estar&amp;aacute; de costas para ele, segurando na barra de metal perto da porta. E descer&amp;aacute; na mesma esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o que ele. Mas sair&amp;aacute; antes, e ele ficar&amp;aacute; desesperado para poder ver seu rosto. Mas n&amp;atilde;o ver&amp;aacute;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso acontece. E acontece novamente. Duas semanas seguidas. E o rosto dela &amp;eacute; uma inc&amp;oacute;gnita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, tudo que ele quer &amp;eacute; ver seu rosto. Quer se apaixonar por um rosto que n&amp;atilde;o enxerga. Ele a imagina de v&amp;aacute;rias formas. Cada uma mais bela que a outra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, ele n&amp;atilde;o enxerga. E tudo se aproxima do final da hist&amp;oacute;ria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;At&amp;eacute; que um dia ele consegue segui-la at&amp;eacute; as escadarias da esta&amp;ccedil;&amp;atilde;o. Mas, ele a v&amp;ecirc; nos bra&amp;ccedil;os de outro, num beijo caloroso. E, ent&amp;atilde;o, segue para seu escrit&amp;oacute;rio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110135264470810696?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110135264470810696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110135264470810696' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110135264470810696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110135264470810696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/cronica-de-amores-perdidos.html' title='Cronica de Amores Perdidos'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110089980226760318</id><published>2004-11-19T19:23:00.000-02:00</published><updated>2004-11-19T19:30:02.266-02:00</updated><title type='text'>Tremor</title><content type='html'>Hoje eu acordei chorando. Meu corpo tremia. Achei que era frio, e fechei a janela. Deitei, e continuei tremendo. Achei que era fome, então abri a geladeira, e comi algo. E continuei tremendo. Achei que era de medo do escuro, acendi a luz. E continuei tremendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que fazia, continuava tremendo. Então, larguei tudo que tinha, apenas para ter um momento de tranquilidade. Andei quadras e mais quadras pela rua, até bater na tua porta. Agora não tremo mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110089980226760318?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110089980226760318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110089980226760318' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110089980226760318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110089980226760318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/tremor.html' title='Tremor'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110075326974587911</id><published>2004-11-18T14:47:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:25:51.113-02:00</updated><title type='text'>Beijo</title><content type='html'>Ele se inclinou, esperando encontrar l&amp;aacute;bios sedosos, estampados num sorriso inocente, mas ao mesmo tempo experiente. O rosto dela parecia estar t&amp;atilde;o longe que a eternidade tomou conta do tempo, como um cometa atravessando o universo, anos-luz de dist&amp;acirc;ncia um do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O calor do toque tomou conta dos dois. Sem saber o que fazer com as m&amp;atilde;os, ele segurou carinhosamente a cabe&amp;ccedil;a dela, acariciando seus cabelos e sua nuca. Com a outra, afagava suas costas. Encontrou um lugar entre a saia e a blusa, de pele desnuda, e se deteve ali, arrancando arrepios dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se abra&amp;ccedil;ou nele, t&amp;atilde;o forte como se ele fosse fugir para longe, deixa-la ali sozinha, no meio de uma pista de dan&amp;ccedil;a escura, solit&amp;aacute;ria e silenciosa, mesmo que o lugar estivesse abarrotado de gente, e a m&amp;uacute;sica estivesse num volume que beirasse o suportavel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, para eles, havia apenas os dois. E uma juventude exacerbada pela frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110075326974587911?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110075326974587911/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110075326974587911' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110075326974587911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110075326974587911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/beijo_110075326974587911.html' title='Beijo'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110049004154551969</id><published>2004-11-15T13:21:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:26:44.156-02:00</updated><title type='text'>Cuba Libre e um Cigarro</title><content type='html'>Peço mais um copo de cuba para o &lt;em&gt;bartender&lt;/em&gt;, sem gelo, como sempre. Das caixas de som, sai uma canção &lt;em&gt;pop&lt;/em&gt;, falando sobre amor, como qualquer canção do gênero, onde o assunto principal da letra são amores perdidos, dores-de-cotovelos, paixões platônicas, e tudo que faça um ser humano sofrer, e que não se esconda por trás da lógica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu copo de cuba é colocado na minha frente, enrolado num guardanapo de papel, molhado pela umidade do copo, com uma fatia pequena de limão boiando na superfície. Pondero se acendo ou não mais um cigarro. Decido não acender. Meu maço tem apenas um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela décima segunda vez me pergunto o que estou fazendo aqui. Tinha prometido a mim mesmo que não viria mais. Mas, sou teimoso, e venho. Sento-me no mesmo banco alto, de frente para o espelho na parede atrás do balcão. Meus olhos por trás de meus óculos estão inchados, como se eu tivesse dormido e esquecido de acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banco ao meu lado está vago. Talvez ela sente ali, se vier. Se vier. Mas, nas outras vezes ela também não apareceu. Fiquei sentado bebendo cuba libre e fumando, olhando meus olhos inchados no espelho. Cena que se repete agora, e da maneira como eu sempre ajo, vai se repetir numa próxima vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Robert Plant agora ecoa no ambiente. Gosto dessa música, não é tão vazia quanto as que tocaram até agora. Quero ir para a casa, mas talvez seja melhor esperar a música acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A porta de entrada, estilo &lt;em&gt;saloon&lt;/em&gt; de velho-oeste, abre. Não me viro para olhar quem é. Espero entrar no meu campo de visão no espelho. Mas não é ela. É apenas outra garota. Nova, não deve ter mais do que dezenove anos. Usa um vestido longo, que me lembra os &lt;em&gt;hippies&lt;/em&gt; dos anos setenta, e uma blusa de alça, que deixa suas costas nuas, revelando uma tatuagem grande, de algo que fico em dúvida entre uma flor ou uma mariposa. Ou uma mariposa em uma flor, mas não faria sentido. Ela é bonita, a garota. Cabelos escuros, cacheados, e olhos verdes escondidos por óculos de armação redonda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, não é ela quem eu espero. Pego meu casaco, sobre meus joelhos, viro minha cuba num gole apenas, saio, deixando dinheiro suficiente para a minha conta e uma gorjeta. Neste lugar, penso, não volto mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110049004154551969?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110049004154551969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110049004154551969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110049004154551969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110049004154551969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/cuba-libre-e-um-cigarro.html' title='Cuba Libre e um Cigarro'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110040638735274376</id><published>2004-11-14T14:26:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:27:21.090-02:00</updated><title type='text'>Apenas um "até mais"</title><content type='html'>Ele baixou os olhos, tentando segurar as l&amp;aacute;grimas. A dor e o vazio eram grandes, t&amp;atilde;o imensos quanto a falta que seu amigo agora lhe faria. Doia mais por n&amp;atilde;o ter tido a chance de dizer tudo aquilo que queria, na hora certa. Ter guardado para si, trancando na garganta palavras que fariam seu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o se libertar, mas que fariam a alma do outro ficar mais pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram amigos h&amp;aacute; tanto que ele achava que teria sido desde o in&amp;iacute;cio do tempo, muito antes de suas pr&amp;oacute;prias exist&amp;ecirc;ncias, agora separadas pelo destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o se sabe o que teria dito, nem como teria dito, mas sabia que teria sido a melhor coisa a fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"At&amp;eacute; mais, meu amigo", foi a unica coisa que conseguiu pronunciar, para uma pedra fria entalhada e encravada no ch&amp;atilde;o. Era o m&amp;aacute;ximo que podia fazer agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110040638735274376?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110040638735274376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110040638735274376' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110040638735274376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110040638735274376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/apenas-um-at-mais.html' title='Apenas um &quot;at&amp;eacute; mais&quot;'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110028646951728901</id><published>2004-11-12T17:04:00.000-02:00</published><updated>2004-11-12T17:07:49.516-02:00</updated><title type='text'>Flores</title><content type='html'>Ela abriu a porta para ir ao trabalho. Na soleira, sobre o tapete, um buquê de flores. Espantada, ela abaixou-se, tomo-o nas mãos e procurou por um cartão, ou alguma identificação de quem o enviou. Não havia nada, apenas a certeza de que a pessoa sabia de sua preferência. Flores do campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três quadras adiante, um jovem caminhava ereto e confiante, como se tivesse vencido a maior batalha de sua vida, quando na verdade enfrentou apenas seu medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110028646951728901?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110028646951728901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110028646951728901' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110028646951728901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110028646951728901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/flores.html' title='Flores'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110028513458116666</id><published>2004-11-12T16:38:00.000-02:00</published><updated>2004-11-12T16:45:34.580-02:00</updated><title type='text'>Praça</title><content type='html'>Todos os dias ele passava por aquele lugar indo para o trabalho. Caminhava apressado, quase sempre correndo alguns minutos contra o relógio. Muitos dias o sol nem havia nascido, estava despontando ainda no horizonte, e ele já estava caminhando pelos ladrilhos da praça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, todos os dias em que passava por ali, estava aquela velha figura curvada, sentada no banco da praça, alimentando os pombos com alguns grãos de milho velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A curiosidade sempre esteve presente. Parar, puxar conversa com o velho, sentar-se ao seu lado, e ouvir histórias que aquele homem poderia ter para contar. Mas o tempo era seu inimigo, e ele não se permitia isso nem por um instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E continuava seu caminho, rumo ao seu ganha-pão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110028513458116666?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110028513458116666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110028513458116666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110028513458116666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110028513458116666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/praa.html' title='Praça'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110012620089641221</id><published>2004-11-10T20:26:00.000-02:00</published><updated>2004-11-10T20:46:08.150-02:00</updated><title type='text'>Galetea</title><content type='html'>Moldei-a conforme meus desejos. Dei-lhe uma alma, da pureza das estrelas, tão brilhante quanto um raiar de sol num dia de primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não a fiz em barro, pois se quebraria ao meu primeiro toque. Nem em ouro, pois sua frieza logo a afastaria de mim. A fiz de pérolas, tão resistente quanto diamante, mas sem sua frieza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus olhos roubei do oceano, num azul letárgico, profundo e sem igual. Me perdi tantas vezes olhando para eles, e me encontrei olhando para eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua voz era o canto dos pássaros. Dizia coisas belas quando abria os lábios, e quando os fechava, era bela por natureza. Seu rosto, um alívio para os males da alma, e um tormento para um coração apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-lhe a vida num sopro em sua boca. Seus olhos se abriram, e minha vida se tornou completa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110012620089641221?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110012620089641221/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110012620089641221' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110012620089641221'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110012620089641221'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/galetea.html' title='Galetea'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-110003500158367199</id><published>2004-11-09T19:00:00.000-02:00</published><updated>2004-11-15T01:47:53.903-02:00</updated><title type='text'>Helena</title><content type='html'>Tive, em sua figura, uma perdição de pensamentos. Perdi um reino inteiro, por uma luxúria. Vaguei em teus olhos, num oceano sem fundo, em meio a tempestades, raios e trovões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zeus não teve pena de mim. Castigou minha alma, rompeu minha coragem, e abriu meu coração. Entraste, agora não tem mais volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morro, aos poucos, vendo meu reino queimar. Mas sei que morro pelo teu amor.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-110003500158367199?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/110003500158367199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=110003500158367199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110003500158367199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/110003500158367199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/helena.html' title='Helena'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109987519250198852</id><published>2004-11-07T17:53:00.000-02:00</published><updated>2005-05-25T16:37:31.366-03:00</updated><title type='text'>Um dia perfeito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele saiu de casa cedo. Ventava um pouco, mas o sol acariciava seu rosto, um calor ameno e puro. Caminhou at&amp;eacute; a parada do &amp;ocirc;nibus, e como era domingo, uma condu&amp;ccedil;&amp;atilde;o demorou mas apareceu. Quinze minutos ele estava no metr&amp;ocirc;, indo em dire&amp;ccedil;&amp;atilde;o &amp;agrave; capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O movimento tamb&amp;eacute;m era de domingo, com pessoas caminhando na Reden&amp;ccedil;&amp;atilde;o, correndo, praticando exerc&amp;iacute;cios, andando nos pedalinhos, tomando chimarr&amp;atilde;o, conversando. Ele a encontrou sentada no lugar combinado, tinha uma cesta e uma caixa de isopor. Estava lendo um livro, concentrada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Oi - ele disse, quando se aproximou dela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela levantou os olhos e sorriu. Respondeu com tamb&amp;eacute;m com um "Oi", mas manhoso, meigo. Ele sentou-se ao seu lado, aconchegou-se na mesma &amp;aacute;rvore que ela estava apoiada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Quer comer agora?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele olhou no rel&amp;oacute;gio.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- N&amp;atilde;o. Ainda est&amp;aacute; cedo. Mas, acho que a gente podia beber alguma coisa. O que tu trouxe?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- N&amp;atilde;o sabia o que tu gostava de beber, ent&amp;atilde;o trouxe duas Cocas, duas guaran&amp;aacute;s e duas &amp;aacute;guas sem g&amp;aacute;s.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Fico com uma guaran&amp;aacute;. - Ela estendeu a garrafa de 600ml para ele. - Ainda est&amp;aacute; gelada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Eu coloquei bastante gelo antes de sair. Acho que vai manter at&amp;eacute; o fim da semana. - Os dois riram.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- O que est&amp;aacute; lendo? - perguntou ele, olhando para a capa do livro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Uma colet&amp;acirc;nea de poemas do Neruda. Poemas de amor.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele olhou nos olhos dela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Est&amp;aacute; apaixonada?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ainda n&amp;atilde;o sei. Mas poemas de amor nunca s&amp;atilde;o demais. E tu, est&amp;aacute; apaixonado?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Se me sentir bem quando estou com uma pessoa, e quando n&amp;atilde;o estou com ela, rezo para que a pr&amp;oacute;xima oportunidade de estar chegue logo, e que, para poder ficar com ela, eu deseje ser outra pessoa, uma pessoa melhor, sim, eu estou apaixonado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ela come&amp;ccedil;ou a ficar um pouco vermelha, mas continuou fingindo n&amp;atilde;o se importar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Continuaram conversando at&amp;eacute; perto do meio-dia. Comeram o lanche que ela trouxe. Sanduiches de frango, alguns risoles, torta de bolacha, e dois bombons. Jogaram os pratos de pl&amp;aacute;stico e as garrafas de refrigerante numa lixeira pr&amp;oacute;xima.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Quer caminhar? - Ele perguntou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Pode ser. S&amp;oacute; preciso guardar isso no carro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Eu te ajudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Depois de guardarem a cesta e a caixa de isopor no porta-malas do carro dela, foram olhar as barracas do brique. Olharam as antiguidades, as pinturas, os artesanatos, as bijuterias. Quando se deram conta, era quase quatro horas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Quer dar uma passada na feira-do-livro? - perguntou ela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Caminharam at&amp;eacute; a Dr. Flores at&amp;eacute; a Andradas, e depois seguiram at&amp;eacute; a Pra&amp;ccedil;a da Alf&amp;acirc;ndega. V&amp;aacute;rias barracas cobertas se amontoavam pela pra&amp;ccedil;a, de maneira organizada. Milhares de pessoas olhavam livros, pesquisavam pre&amp;ccedil;o, conversavam.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele e ela se misturaram. Acharam alguns livros. Ela se interessou por alguns de poesia. Ele procurou nos balaios de livros usados por cl&amp;aacute;ssicos da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eram seis e meia, e eles se desvencilharam da multid&amp;atilde;o.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Tem que ir pra casa? - ela perguntou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ainda n&amp;atilde;o. Posso ficar mais um pouco. Quer ir ver uma coisa?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- O que?&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Vem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Ele a levou at&amp;eacute; a usina do gas&amp;ocirc;metro. Subiram at&amp;eacute; a sacada com frente para o Rio Guaiba. O sol estava come&amp;ccedil;ando a encostar no horizonte.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Eu j&amp;aacute; vi esse p&amp;ocirc;r-do-sol duzias de vezes, e cada uma &amp;eacute; diferente - ela falou, encantada com o espet&amp;aacute;culo natural.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Essa vez, pra mim, &amp;eacute; especial.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se olharam direto nos olhos, se inclinaram, e, por final, o beijo. Um beijo t&amp;iacute;mido, mas demorado, que durou r&amp;aacute;pido demais para eles, que ansiavam por mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Quando ele chegou em casa, num domingo destes, tinha a impress&amp;atilde;o que aquele tinha sido um dia perfeito. Simples, mas perfeito. Quando girou a chave na porta, tinha um sorriso nos l&amp;aacute;bios, e o cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o leve como uma pluma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109987519250198852?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109987519250198852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109987519250198852' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109987519250198852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109987519250198852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/um-dia-perfeito.html' title='Um dia perfeito'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109980227340276251</id><published>2004-11-07T14:37:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:30:04.313-02:00</updated><title type='text'>Caminho das Flores</title><content type='html'>Esta noite eu sonhei com voc&amp;ecirc;. Que caminhavamos, de m&amp;atilde;os dadas, por um caminho de flores. Era uma pra&amp;ccedil;a, crian&amp;ccedil;as brincando, correndo ao nosso redor. M&amp;atilde;es conversando, sentadas nos bancos, olhando para seus filhos. E n&amp;oacute;s, continuavamos caminhando, nossos dedos continuavam entrela&amp;ccedil;ados, como se fossem da mesma pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontes disparavam &amp;aacute;gua para todos os lados. Seu rostou ficou molhado. Mas eu apenas me lembro do teu sorriso, teus  olhos brilhantes, escondidos por mechas de cabelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me inclinei para um beijo, mas voc&amp;ecirc; n&amp;atilde;o estava mais l&amp;aacute;. Eu estava sozinho, em meu quarto, vazio, frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantei-me. Desliguei o ar condicionado. Olhei por uma fresta na cortina, e chovia l&amp;aacute; fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitei, e esperei o sono voltar, para poder sonhar com voc&amp;ecirc;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109980227340276251?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109980227340276251/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109980227340276251' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109980227340276251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109980227340276251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/caminho-das-flores.html' title='Caminho das Flores'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109968689120345540</id><published>2004-11-05T18:28:00.000-02:00</published><updated>2004-11-05T18:34:51.203-02:00</updated><title type='text'>Dança Cigana</title><content type='html'>Ela move seu corpo com agilidade, no compasso da música. Seus passos seguem um frenezi incessante, como se seus pés fossem animais caçando, a espreita de uma presa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos ao seus redor são seus criados, seguindo-a com os olhos, prontos para oferecer a vida à ela por um pouco de atenção. Ela sorri, seus lábios transbordam sensualidade, tom de sangue, rubro, metálico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os acordes da música são um transe, da qual ela não consegue sair. Só pode dançar, dançar, até o dia amanhecer. E ninguém tira os olhos de seu corpo, em movimentos harmoniosos, de exaltação e de paixão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109968689120345540?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109968689120345540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109968689120345540' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109968689120345540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109968689120345540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/dana-cigana.html' title='Dança Cigana'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109958700006134164</id><published>2004-11-04T14:25:00.000-02:00</published><updated>2004-11-04T14:50:00.060-02:00</updated><title type='text'>Inspiração</title><content type='html'>Tudo a minha volta é razão para imaginar. Vejo as pessoas que me rodeiam, concentradas em suas tarefas, e fico tentando descubrir o que tanto pensam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço conversas, que me instigam a viajar sem me mover, caminhar por entre as palavras, observar fatos sem nunca ter visto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inspiração é o fogo que arde, fazendo com que eu queime até me submeta a descrever tudo aquilo que eu vi, mas que não existe. É o sopro da criação, são as asas da percepção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o que me faz ser quem sou, ou que me faz mudar o mundo ao meu redor, sem que os outros percebam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109958700006134164?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109958700006134164/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109958700006134164' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109958700006134164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109958700006134164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/inspirao.html' title='Inspiração'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109944772591812354</id><published>2004-11-03T17:08:00.000-02:00</published><updated>2004-11-25T16:31:20.910-02:00</updated><title type='text'>Transito</title><content type='html'>Com o ar condicionado ligado, ele ouvia blues no &lt;i&gt;cd&lt;/i&gt;, e acompanhava a bateria batendo com os dedos no volante. Tentava esquecer que estava preso em um engarrafamento, e que levaria horas at&amp;eacute; conseguir chegar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu dia n&amp;atilde;o tinha sido bom. Reuni&amp;atilde;o no come&amp;ccedil;o da manh&amp;atilde;, uma discu&amp;ccedil;&amp;atilde;o com o s&amp;oacute;cio, um almo&amp;ccedil;o com poss&amp;iacute;veis clientes, que n&amp;atilde;o decidiam o que realmente queriam. Sua tarde n&amp;atilde;o havia sido agrad&amp;aacute;vel tamb&amp;eacute;m. O gerente do banco ligou, relatando que a conta corrente havia entrado no vermelho. Saiu no hor&amp;aacute;rio de costume, mas, por causa de um acidente, seu caminho para casa estava interrompido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou para a fila enorme de carros, e sabia que t&amp;atilde;o cedo n&amp;atilde;o sairia do lugar. Tirou o palet&amp;oacute;, afroxou a gravata, e sabia que n&amp;atilde;o podia fazer mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois, o carro a sua frente andou. E voltou a parar. Ele ergueu o corpo para tentar enxergar o que estava acontecendo. E a fila se estendia por centenas de metros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila ao seu lado andou. Lembrou-se de uma das leis de Murphy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um carro parou ao seu lado. Uma mulher dirigia. Parecia concentrada em algo. Ele a achou bonita, talvez at&amp;eacute; demais para um cara como ele. Ela olhou para ele, talvez sentindo que estava sendo observada. E sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou vermelho, e virou o rosto para a frente. E sorriu para si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109944772591812354?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109944772591812354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109944772591812354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109944772591812354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109944772591812354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/transito.html' title='Transito'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109944770878260062</id><published>2004-11-03T00:08:00.000-02:00</published><updated>2004-11-03T00:08:28.783-02:00</updated><title type='text'>Ninfa</title><content type='html'>O olhar perdido na floresta, refestelando-se sobre uma rocha, deixando a &amp;aacute;gua escorrer sobre seu corpo. Era linda como a filha de um deus, brilhava na luz do dia. Um ser imortal, que me fora pro&amp;iacute;bido amar, e mesmo assim, eu amei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha maldi&amp;ccedil;&amp;atilde;o seria apenas olhar, ser ofuscado pelo seu brilho, tocar sem ser tocado, beijar sem ser beijado, amar, numa paix&amp;atilde;o sem ser correspondido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou as &amp;aacute;guas onde ela se banha. Eu sou o rio que sussura palavras em seu ouvido, esperando que ela me ou&amp;ccedil;a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te amo, mas n&amp;atilde;o espero que note. Essa &amp;eacute; minha maldi&amp;ccedil;&amp;atilde;o.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109944770878260062?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109944770878260062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109944770878260062' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109944770878260062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109944770878260062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/ninfa.html' title='Ninfa'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109928198000451582</id><published>2004-11-01T13:06:00.000-03:00</published><updated>2004-11-25T16:32:32.943-02:00</updated><title type='text'>Chuva</title><content type='html'>&lt;i&gt;Ouvindo a m&amp;uacute;sica "Crying in the Rain" do A-ha&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o quero te deixar. Meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o est&amp;aacute; partido, me doi pensar em ir, n&amp;atilde;o te ver mais. Eu choro por tudo isso, e meus olhos est&amp;atilde;o vermelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes dias chuvos, tu &amp;eacute; meu sol. Mas agora, a chuva lava minhas l&amp;aacute;grimas embora, e parece que est&amp;aacute; tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu estou morrendo por dentro. N&amp;atilde;o quero mas sofrer, quero me libertar de ti, deixar-me ser levado pelo destino, em &amp;aacute;guas que eu nunca estive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero apenas te esquecer. E deixar a chuva molhar meu rosto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109928198000451582?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109928198000451582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109928198000451582' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109928198000451582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109928198000451582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/chuva.html' title='Chuva'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109927779183744634</id><published>2004-11-01T00:56:00.000-03:00</published><updated>2004-11-25T16:36:01.286-02:00</updated><title type='text'>Resposta</title><content type='html'>Quero uma resposta, mas seus olhos n&amp;atilde;o me dizem nada. Ficam mudos, numa profundidade azul, quase inertes. Me olham, me julgam, deixam cicatrizes na minha pele. Mas, a resposta que eu tanto anseio n&amp;atilde;o vem, me tortura, me enloquece. Meu cora&amp;ccedil;&amp;atilde;o bate, salta, acelera, e tua mudez me preocupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N&amp;atilde;o sei o que quero saber. N&amp;atilde;o sei se quero saber.  Mas preciso saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga-me. Olha-me. Meu tempo n&amp;atilde;o &amp;eacute; eterno. Talvez eu morra com o que tem pra me dizer. Talvez eu chegue ao para&amp;iacute;so depois de saber. Deixa eu te tocar, deixa eu te beijar. Deixa apenas eu ser feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109927779183744634?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109927779183744634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109927779183744634' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109927779183744634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109927779183744634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/resposta.html' title='Resposta'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109927712073331032</id><published>2004-10-31T23:45:00.000-03:00</published><updated>2004-10-31T23:45:20.733-03:00</updated><title type='text'>Silêncio</title><content type='html'>Não há nada lá fora. Sim, acredite em mim, foi apenas o vento, soprando entre as folhas das árvores. Ele brinca, se diverte, e depois vai embora. Não há com que se preocupar. Fecha os olhos, e deixa o silêncio invadir, quebrar o medo em partes, e aconchega tua cabeça no meu ombro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero cantar pra ti, mas não sei. Só o silêncio me vem, me domina. Eu quero dormir, mas sinto teu coração bater. Parece bater dentro de mim, como se fossemos dois num corpo só, sozinhos no meio da floresta, ouvindo o vento rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teu cheiro é o que me disperta. Posso ficar acordado a madrugada inteira, sentindo teu perfume,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109927712073331032?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109927712073331032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109927712073331032' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109927712073331032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109927712073331032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/11/silncio.html' title='Silêncio'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109908379013034063</id><published>2004-10-29T17:17:00.000-03:00</published><updated>2004-10-29T20:04:24.606-03:00</updated><title type='text'>Pôr-do-Sol</title><content type='html'>&lt;img src="http://us.f2.yahoofs.com/users/413d8d1bz1ebdd3f4/b66b/__sr_/7083.jpg?ph2DtgBBkS1C7A5y"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a bicicleta, ele olhava para o horizonte. Ainda cançado de seu exercício, ele tentava tomar fôlego, antes de voltar ao seu caminho. Olhou para o sol, que estava se pondo, e ficou admirando por alguns instantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passou com os patins fazendo barulho contra o asfalto. Era tão bonita quanto a visão do entardecer. Parou junto a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bonito, né - comentou ela.&lt;br /&gt;Ele a olhou, sorrindo.&lt;br /&gt;- Sim. Muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu para ele, e voltou a patinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele ficou lá, parado mais um tempo, revezando olhar para o pôr-do-sol, e para a garota que partia.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109908379013034063?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109908379013034063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109908379013034063' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109908379013034063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109908379013034063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/pr-do-sol.html' title='Pôr-do-Sol'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109907267678479147</id><published>2004-10-29T14:43:00.000-03:00</published><updated>2004-10-29T14:57:56.783-03:00</updated><title type='text'>Adeus</title><content type='html'>Ela abriu a porta. Ele estava parado, olhar baixo, ombros caídos, desanimado. Ela deu espaço, e ele entrou.&lt;br /&gt;- Tudo bem? - Ele pergunta, num tom monótono.&lt;br /&gt;- Tudo. Tava te esperando. Preciso sair depois.&lt;br /&gt;- Prometo que não vou demorar.&lt;br /&gt;Ela foi para o quarto. Ele a seguiu.&lt;br /&gt;Sobre a cama, várias peças de roupas arrumadas em pilhas, dobradas com cuidado. Camisas, calças, camisetas. Ele reconheceu-as.&lt;br /&gt;Ao lado da cama, havia duas caixas, lacradas com fita adesiva.&lt;br /&gt;- Tá tudo ai. As roupas, eu não guardei porque não sabia o que tu ia levar. O resto, está naquelas caixas.&lt;br /&gt;- Obrigado. Eu vim mais por causa dos livros e dos discos. As roupas eu vou deixar pra ti. Doa elas. Tem alguém precisando mais do que eu nesse momento. E eu vou comprar novas.&lt;br /&gt;- Tudo bem. Eu faço isso amanhã.&lt;br /&gt;Ele apanhou as caixas e foi até a porta. Esperou que ela a abrisse. Ficaram se olhando alguns segundos, sem dizer nada.&lt;br /&gt;- Acho que é um adeus - disse ele.&lt;br /&gt;- Talvez não. Pode ser apenas um tchau - respondeu ela sorrindo.&lt;br /&gt;- Talvez. Quem sabe.&lt;br /&gt;E ele a beijou no rosto. E saiu. Ela fechou a porta, e a trancou.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109907267678479147?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109907267678479147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109907267678479147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109907267678479147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109907267678479147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/adeus.html' title='Adeus'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109884980302323899</id><published>2004-10-28T16:00:00.000-03:00</published><updated>2004-11-25T16:33:56.793-02:00</updated><title type='text'>Encontro</title><content type='html'>Ele olhou no relógio. Estava atrasado. Apenas alguns minutos, mas estava. Caminhou mais rápido, o coração começando a acelerar. Estava nervoso, começando a suar. Mas também estava feliz, começando a sorrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela esperava por ele, sentada no banco da praça, fingindo desatenção, revirando as folhas de um livro ao acaso. Trocava a posição das pernas, ora cruzando, ora esticando-as, ora balançando-as como um pêndolo. Levantou os olhos, e viu que ele se aproximava. Seu coração acelerou, mas ela sorriu. Continuou fingindo que não viu ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a enxergou ao longe, sentada no lugar combinado. Ela estava distraída. Mas a simples visão dela o fez se arrepiar. Colocou as mãos nos bolsos, olhou em frente, e foi até ela. Não queria sentir medo, nem nervosismo, nem vergonha. Queria apenas ir até ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o viu mais perto. E continuou fingindo que não o via.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parou. Exitou. Vacilou. Foi para trás de uma árvore. Não estava pronto ainda. Apenas a observou. Ele a achava linda. Cabelos presos num rabo-de-cavalo, um vestido desbotado longo. Óculos escuros escondendo os olhos que ele sabia serem verdes. E ela apenas a observou, achando-a linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela o viu parando. Não entendeu que ele estava fazendo. Acho que tinha desistido. Sentiu-se só e vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele tomou coragem. E retomou seu caminho. Parou ao lado dela. Sorriu. A primeira palavra sofreu para sair da garganta. Teimou em ficar. Ele a empurrou, forçou-a a sair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi - um oi tímido, baixo, sem vontade de ser dito.&lt;br /&gt;- Oi - ela disse, baixando os óculos, e olhando direto nos olhos dele.&lt;br /&gt;- Estava passando, e te vi aqui - mentiu ele. Sabia que ela sentava naquele lugar, no mesmo horário, para ler.&lt;br /&gt;- Que bom que tu parou - falou ela. Ela sabia que ele passava ali, naquele horário, por isso sentava ali.&lt;br /&gt;Conversaram amenidades, coisas sem sentido, mas que faziam sentido naquele estado de espírito em que ambos se encontravam. Até que olharam em seus relógios, e viram que muito tempo havia passado.&lt;br /&gt;- Preciso ir - ele disse.&lt;br /&gt;- Eu também - respondeu ela.&lt;br /&gt;- A gente se fala - ele falou.&lt;br /&gt;- Sim, a gente se fala qualquer hora - ela respondeu.&lt;br /&gt;Ele levantou-se, seguindo seu rumo. Ela, foi para o lado oposto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo que ele queria naquele momento, era convidar ela para sair. Qualquer coisa, apenas queria estar com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo que ela queria era sair abraçada com ele, e seguirem na mesma direção.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109884980302323899?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109884980302323899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109884980302323899' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109884980302323899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109884980302323899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/encontro.html' title='Encontro'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109877239149821067</id><published>2004-10-27T15:12:00.000-03:00</published><updated>2004-10-26T03:40:12.196-03:00</updated><title type='text'>Outras Fotos</title><content type='html'>Ele abriu o velho album de fotos. Empoeirado, estava fechado há muito tempo. Há muito tempo ele estava longe dela. Tempo suficiente para que ele casasse, tivesse dois filhos, uma casa na praia, uma promoção, um divorcio. E uma constante lembrança nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou no que teria acontecido se tivessem ficando juntos. Se ele não saisse da escola, fosse para outra cidade. Se não tivesse deixado aquela paixão de criança, como se fizesse parte de uma outra vida, que agora não era a dele, mas era a que ele desejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não estivessem mais juntos. Talvez fosse realmente apenas uma paixão de criança. Daquelas que vão sendo contruídas com o primeiro olhar, o primeiro sorriso trocado, o "quebra-gelo" nervoso, sem saber o que falar, aonde colocar as mãos, para onde olhar. Então, o primeiro beijo. O segundo, inexperiente ainda. O terceiro, quarto, quinto. Tantos quantos era o desejo inocente deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ainda se lembra de quanto tempo passaram de mãos dadas, olhando um pôr-do-sol ali, outro aqui, trocando promessas de que ficariam juntos para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A foto que ele tinha nas mãos, num presente que já parecia fazer parte da outra vida, foi a última. Estavam numa ordem cronológica. Ela, sentada num banco de praça, escondendo o rosto com os cabelos, desgrenhados. Mas ele amava aqueles cabelos. Ela dizia que estavam feios, que ela estava feia. Ele insistia, dizia que ela era bonita, queria que ela mostrasse o rosto. Mas não conseguiu. E tirou assim mesmo. A última foto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria saber se seria a última. Que outras fotos teriam sido tiradas.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109877239149821067?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109877239149821067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109877239149821067' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109877239149821067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109877239149821067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/outras-fotos.html' title='Outras Fotos'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109877107533669817</id><published>2004-10-27T13:02:00.000-03:00</published><updated>2004-10-26T03:11:15.336-03:00</updated><title type='text'>Paixão</title><content type='html'>Descobri que preciso de uma paixão. Quero sentir o gosto de um beijo, mesmo que roubado, enquanto os dedos se desgrudam e ela se vai, olhando para trás, sorrindo para mim, e mandando um beijo, daqueles flutuantes, atirados ao vento, com uma mão abanando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma paixão que me tire o sono. Faça com que eu me remexa na cama, pensando no rosto dela, nos cabelos caídos nos olhos, escondendo um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a necessidade de sentir um cheiro, um perfume, ouvir uma voz sussurada no meu ouvido, dizendo coisas que me arrepiem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrar um bilhete, escrito à mão, num lugar secreto. Abri-lo, e morrer um pouquinho, de felicidade. Palavras de paixão, que é o que eu quero sentir.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109877107533669817?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109877107533669817/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109877107533669817' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109877107533669817'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109877107533669817'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/paixo.html' title='Paixão'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109876699923438269</id><published>2004-10-26T01:58:00.000-03:00</published><updated>2004-10-26T02:03:19.233-03:00</updated><title type='text'>Embriaguez</title><content type='html'>A cabeça rola de um lado para o outro, num turbilhão de sensações, enquanto o corpo tenta acompanhar. Imagens giram, formam-se na mente, esperando tomarem forma, até que algo significativo apareça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitado na cama, eu espero a tontura ir embora, mas ela não vai. O mal-estar fica rondando, como um gato à espreita da presa, até que eu desista e ele tome conta de mim. Mas não vou desistir. Me apego a formas que não param quietas. Vasculho na memória algo que faça elas me deixarem em paz. Mas nada me surge.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, então, a imagem dela me aparece. E tudo fica calmo. Eu deito a cabeça para o lado, e durmo. Sonho com ela. Ela é minha embriaguez. Não sinto nada, apenas o limbo me rodeando.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109876699923438269?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109876699923438269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109876699923438269' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109876699923438269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109876699923438269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/embriaguez.html' title='Embriaguez'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109859708101806897</id><published>2004-10-24T14:43:00.000-03:00</published><updated>2004-11-25T16:24:44.546-02:00</updated><title type='text'>Compatibilidade</title><content type='html'>Ele vive trabalhando. Quando não está trabalhando, está estudando. Quer ser um advogado famoso, ganhar muito dinheiro, ter o carro do ano. Já previu que vai se aposentar e ir morar numa praia paradisíaca, e que a casa vai ter uma varanda com vista pro mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tem tempo para os amigos. Vive sorrindo e cantando. Chora com música de comerciais de tv, principalmente daqueles bonitinhos. Dorme tarde, e acorda mais tarde ainda. Estuda apenas em véspera de prova, quando estuda. Quer ser professora, ensinar história da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele anda sempre bem vestido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é linda de qualquer maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gosta de musica popular brasileira e jazz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ouve quase tudo, principalmente bandas que ninguém mais conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se apaixonou na primeira vez que a viu. Ela, quando descobriu que ele gostava de gatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, não têm nada em comum. Apenas o fato de amarem um ao outro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109859708101806897?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109859708101806897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109859708101806897' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109859708101806897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109859708101806897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/compatibilidade.html' title='Compatibilidade'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109839630118732153</id><published>2004-10-21T18:04:00.000-03:00</published><updated>2004-11-12T16:59:37.823-02:00</updated><title type='text'>Solitário no meio da multidão</title><content type='html'>Todos tem um lugar preferido para escrever. Alguns gostam de se isolar em casa, onde o barulho não os alcança, ou podem controlar aquilo que querem ouvir. Podem sentar na frente do computador, utilizar um editor de texto da preferência, ouvir uma musica que inspira, preparar uma bebida, e escrever até que não tenha mais o que ser dito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros, preferem sentar num lugar barulhento, cheio de gente conversando, cheiro de cigarro, poder escolher o que beber, deixar a escolha do som à outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrever em casa pode ter suas vantagens (sossego é uma delas). Mas também pode ter desvantagens. Podem surgir textos melancólicos, devido à solidão, ou ficar entretido com alguma outra coisa que não seja o ato de escrever (jogar no computador, assistir tv, dormir mais cedo). E, muitas vezes, bate uma depressão sem tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda opção não é diferente. Depende do gosto de cada um. Algumas pessoas se sentem mais inspiradas no meio de outras. Pode-se parar pra analisar uma figura, ver como se comporta, a maneira que fala, ou jeito que se veste. O la ruim é que pode-se ficar muito tempo apenas observando, e esquecendo de escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou adepto da primeira maneira. Minha natureza é meio isolatória (se existe esta palavra... se não existe, o Aurélio podia colocar ela lá), por isso, muitas vezes fico em casa, e, eventualmente escrevo (quando não estou jogando no computador, assistindo tv, indo dormir mais cedo). Algumas vezes rende um texto interessante. Na maioria das vezes, surge algo discutivel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou adepto da segunda. Estou em fase de testes. Neste momento, este texto é produzido em um &lt;em&gt;cybercafé&lt;/em&gt;. Está um pouco cheio, algumas pessoas jogando, outras lendo e-mails, outras em &lt;em&gt;chats&lt;/em&gt;. E eu, escrevendo. Uma latinha de refrigerante acaba de ser aberta, com o barulho característico do lacre de metal sendo rompido, e o gás saíndo com muita pressão. Alguém digita algo no computador às minhas costas, freneticamente. Uma música brega sai das caixas de som. Acho que é bossa nova (sou adepto de Rock e Heavy Metal, quando se trata de MPB, estou bem por fora).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, entre outras coisas, estou no &lt;em&gt;Orkut&lt;/em&gt;. Vendo fotos de alguém que, um dia, foi o grande amor da minha vida. Isto, eu chamaria de &lt;em&gt;solidão virtual&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109839630118732153?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109839630118732153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109839630118732153' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109839630118732153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109839630118732153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/solitrio-no-meio-da-multido.html' title='Solitário no meio da multidão'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109838933677216645</id><published>2004-10-21T16:12:00.000-03:00</published><updated>2004-10-21T17:12:22.223-03:00</updated><title type='text'>Tatuagem</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Apenas algo escrito por quem não tem nada pra fazer num laboratório de informática.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela usava uma blusa azul, mas ficava um espaço de pele nua, entre o cós da calça e a dita blusa. Não era maior que três centimetros. Mas ali se escondia o que mais chamou a atenção dele. Ela tinha uma tatuagem, negra, contrastando com a brancura da pele. Estava encoberta pela calça e pela blusa, não se revelava, mas não fazia questão de ser escondida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só então ele desviou o rosto para ela. Tinha cabelos negros, que iam até a cintura, entrepostos por algumas mexas coloridas. Virou o rosto. Era bonita. Olhos tão negros quanto seus cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passou por ele, e ele sentiu seu perfume. Era adocicado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A garota tatuada sentou-se, e a blusa subiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um cavalo-marinho.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109838933677216645?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109838933677216645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109838933677216645' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109838933677216645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109838933677216645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/tatuagem.html' title='Tatuagem'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109830078822702351</id><published>2004-10-20T15:32:00.000-03:00</published><updated>2004-10-29T16:59:36.126-03:00</updated><title type='text'>Virtualidade</title><content type='html'>&lt;em&gt;Este texto é uma livre adaptação de um roteiro que eu escrevi há muito tempo. O nome era "um pequeno romance pós-moderno". O roteiro saiu do papel, e virou um curta-metragem, pra uma disciplina da faculdade. Levou 10, e foi uma experiência gratificante.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No conto, eu mudei muita coisa. Diálogos, Personagens. O final é o mesmo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele entrou no &lt;em&gt;cybercafé&lt;/em&gt;. Nervoso, pediu uma xícara de chá. O garçom olhou para ele com uma cara de "trinta graus e esse cara me pede chá?!". Quente, bem quente, e sem açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O computador demorou para carregar. Quando o fez, a senha foi digitada por mãos trêmulas. Errou uma vez, duas vezes. Na terceira, ele digitou pausadamente, letra após letra. Acertou. A tela mudou para os títulos dos e-mails. Dezenas. "Malditas Listas de Discução" pensou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele "virou" a página, apreensivo. Mas, depois de limpar a mente e se acalmar, lá estava aquele que ele estava procurando. Ele sorriu. Esqueceu o chá. Deixou esfriar, no lado do teclado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou, pagou a conta, e saiu. Tinha um encontro para ir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia como ela era. Nunca tinha visto fotos. Apenas uma descrição. Morena, cabelos até os ombros. Ele tinha uma preferência por morenas, embora isso não importasse naquele momento. Tinha apenas o receio de que ela não gostasse dele. Na sua cabeça, a cena seria dela olhando para ele, virando as costas e indo embora. Mas ele sentou no bar, e esperou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou adiantado. Eram seis horas, e ela havia marcado seis e meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar alguém que não se conhecia fazia o relógio andar para trás. O tempo se arrastava. Sua distração foi uma lata de refrigerante vazia, esquecida por alguém sobre a mesa. Retirou o lacre, torceu, arrebentou. Amassou a lata, arremessou no lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De três pontos - disse uma voz familiar atrás dele.&lt;br /&gt;Ele virou-se, e encontrou um rosto familiar.&lt;br /&gt;- Oi Rafaela. Senta ai.&lt;br /&gt;Ela o fez. Era uma garota bonita, com olhos verdes sintilantes, e um sorriso que, apesar de metálico, era radiante.&lt;br /&gt;- Parece nervoso. Esperando alguém, Arthur?&lt;br /&gt;- Se eu te contasse, tu iria rir de mim.&lt;br /&gt;- Tenta. O meu dia foi tão estressante que eu preciso de uma boa risada.&lt;br /&gt;- Esse tipo de reação é a última coisa que eu preciso.&lt;br /&gt;- Desculpe. Mas vai, conta ai.&lt;br /&gt;- Eu to esperando alguém, sim. Mas alguém que eu nunca vi na vida. A gente se conheceu por e-mail. Ela quer me conhecer.&lt;br /&gt;- Sei lá. Não sou a pessoa indicada pra falar sobre um encontro virtual. Nunca tive um.&lt;br /&gt;- Como se tu precisasse.&lt;br /&gt;- Por que eu não precisaria?&lt;br /&gt;- Tu é uma guria bem decidida. Pelo que eu te conheço, não corre atrás de uma ilusão. É o que eu estou fazendo, esperando uma ilusão. Esperando que uma pessoa que eu nunca vi na vida seja a mulher da minha vida.&lt;br /&gt;- A gente pode se iludir olhando nos olhos de uma pessoa. Quer que aquilo seja real, e não é. Talvez tenha mais realidade no teu relacionamento com uma pessoa que tu nunca trocou um olhar, um toque, um beijo ou um carinho, do que eu tive nos meus relacionamentos fracassados.&lt;br /&gt;- Eu não sei. Tenho que esperar pra descobrir.&lt;br /&gt;- Eu não vou te atrapalhar. Ela deve estar chegando. - Ela o beija no rosto. - Me conta depois como foi.&lt;br /&gt;- Pode deixar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sai pela mesma porta que entrou, mas ele não vê, pois estava de costas.&lt;br /&gt;Seis e meia. Ela está trasada. Sete, uma garota atravessa o corredor, passando rente ao lado dele. Morena, cabelos no ombro. O coração dele dispara. O nervosismo volta a tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abre uma revista sobre a mesa. O garçom deixa um cardápio para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento de impasse, Ele levanta-se. Espera que seja um movimento sem volta. Vai até a mesa dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi.&lt;br /&gt;Ela levanta os olhos, sorrindo.&lt;br /&gt;-Oi.&lt;br /&gt;- Esperando alguém?&lt;br /&gt;- Pode ser - diz ela, timidamente.&lt;br /&gt;- Deixa eu adivinhar. Teu nome é Ingrid.&lt;br /&gt;- Não. Simone. - O sorriso desaparece. - Acho que não sou quem tu procuras.&lt;br /&gt;- Tudo bem. Acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vira-se, tomando a direção da saída. Ao chegar na calçada, uma voz familiar o chama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela não apareceu, não é? - diz Rafaela, escorada na parede ao lado da porta do bar.&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Essas coisas acontecem. - Ela engancha o braço ao dele. - Mas, te anima. Outra musa pode aparecer na tua vida. Quem sabe uma não virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois saem caminhando pela calçada. Seus braços continuam enganchados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No curta, neste momento entrava a garota que Artur estava esperando. Ela vai até uma mesa, e pergunta a um cara se ele era o Artur. Imagens entrepostas com os créditos. E a música Segredos, do Frejat.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109830078822702351?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109830078822702351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109830078822702351' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109830078822702351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109830078822702351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/virtualidade.html' title='Virtualidade'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8777241.post-109829730045859633</id><published>2004-10-20T14:34:00.000-03:00</published><updated>2004-10-20T15:35:00.456-03:00</updated><title type='text'>Teoria do Caos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pegar uma página em branco (ou no caso do computador, uma tela em branco), é uma das coisas mais complicadas que alguém que quer ser escritor pode fazer. Há aqueles escritores que produzem textos magníficos. Achamos que a pessoa em questão sentou na frente do papel (ou do computador) e simplesmente encostou a caneta (ou os dedos no teclado), e as palavras rolaram, escoando como uma torneira aberta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que não seja bem assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A imagem que vem na minha mente é a de alguém parado por minutos (ou horas, no meu caso), de olhos fechados, vasculhando na mente a primeira frase, ou até mesmo a primeira palavra. Quando uma palavra surge, pedindo para ser escrita, o escritor em questão a analisa, observa, pega-a na mão, acaricia-a, e pondera se ela é a palavra perdida que ele procurava. Se não é, ela volta para o limbo da criatividade, até ser resgatada por ele, ou por outro. Em algum lugar, lá no fundo, deve haver uma pilha de palavras, ou de restos delas, no esquecimento. Uma imagem parecida com aqueles fossos de filmes de terror, cheios de ossos, crânios, retalhos de tecido, revelando um covil, residência de algum animal que se alimenta de palavras. Um dicionário, para ele, seria um banquete.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Criar um texto, independente do que seja, é com dar a luz a um novo universo. Moldar de uma massa caótica formas, cores, pesos, medidas, tempo e espaço. Planetas vão surgindo, passam a girar ao redor de estrelas, que não estavam ali há um segundo atrás. Não é uma tarefa de seis dias, para se descansar no sétimo. É mais rápido que isso. Apenas algumas horas e um novo mundo está coberto de significações, descrições e personagens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A parte mais difícil, na minha humilde opinião, é a criação de seres que povoarão nosso novo mundo, recém descoberto. Não haverão caravelas vagueando sobre águas revoltas. Ainda não criamos ser algum. Ele não gerou descendentes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, &lt;em&gt;SHAZAM. &lt;/em&gt;Um ser novo, fresquinho, recém saído do forno, moldado em barro e com o sopro divino dentro dos pulmões, ainda não viciados pelo cigarro. Ou então, saído de dentro de um bloco de gelo, lambido por uma vaca até que derreta. O resto do gelo é colocado num copo com uísque escocês, mexendo e virando num gole apenas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vícios e virtudes deveriam ser encontrados neste ser. Mas ele é tão parecido com quem o criou, o escritor em questão, que este fica cego ao que ele pode oferecer. Deixa o personagem conduzir sua própria estória. E este conduzirá para um final tão trágico quanto sua cirróse ou seu câncer de pulmão. Afinal, ele é um ser humano, fruto de outro ser humano. E, talvez, o escritor seja apenas fruto da imaginação de alguém mais insano ainda.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8777241-109829730045859633?l=letargico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://letargico.blogspot.com/feeds/109829730045859633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8777241&amp;postID=109829730045859633' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109829730045859633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8777241/posts/default/109829730045859633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://letargico.blogspot.com/2004/10/teoria-do-caos.html' title='Teoria do Caos'/><author><name>Yul Barbosa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14386898134483399272</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
